"outrora passávamos fome, mendigávamos sol e chuva sem saber escrever
sem saber como nos livrarmos da miséria que nos rodeava
chamavamo-nos "o povo oprimido e afónico"
quería-mos o direito à palavra, ao voto, à educação para uma vida como mendigos dignos
gritámos, acenámos e ameaçámos com martelos e foices
"a terra a quem a pisa"
"pão a quem o amassa"
antes clandestinos,
aqui e acolá um laivo de luz na imensa treva, um suspiro, uma triste ansiedade num futuro melhor para estas gerações de tugas que nos coube em sorte gerar
queríamos um mundo melhor
democrático
livre...
deram-nos pão para adiar a fome e as causas da morte"
bostick
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